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samedi 11 décembre 2010

Ela



 No Sol do inverno tropical
  com o vento enviando arpões
  aranhas tecendo suas teias
  agouro da destruição no início do temporal

 Cai a noite, um feixe de luz surge
  acaricia o mistério, escuro, sujo
  uma calma reclina sobre a cama
  balançando sussurros: - ele te ama!

  No torpor do silêncio, ambiente vazio
  o último grito estridente, frio
  é Ela, vem mansa e depressa

  Encobre o corpo, abala a respiração
  finaliza seu golpe, para o coração
  o olhar escncara a morte e sua presa

dimanche 8 novembre 2009

Estrangeira



Papai e mamãe se conheceram
Brincaram juntos num momento
Brincaram juntos e se entenderam
Brincaram sérios juntos até meu nascimento

Entrei na brincadeira
Esta esperada porém não controlada
Tanto fui rainha na brincadeira
Tomei a mamãe do papai e ainda a deixei desolada

Perdi o trono de majestade
Ao que me elevaram e depois despojaram-me
Não pude satisfazer-lhes os desejos
Assim os tomei como meus

Mas, conta-me, quem sou eu?
Este eu que da brincadeira nasceu
Este eu que  brincou, atrapalhou
E na brincadeira morreu?

samedi 10 janvier 2009

Lord Profanus




Estava a olhar-te em silêncio,
já há algum tempo,
sem nem saber o motivo
dum impulso tão incisivo.
O contorno suave de tua face,
proporcionalmente formada
para o enlace estilizado a contento
dos mais exigentes estetas


Este olhar profundo, sedutor, ai,
o que há doutor? Esta ardência,
calorosa, dilacerando minha mente,
não consigo trabalhar,
não consigo cozinhar,
aquela delineação da masculinidade
em incrível perfeição, meu Deus!

Que loucura, que desejo
de ternura cálida, inteira,
uma vontade verdadeira
aventura nada rotineira
e tê-lo todo em mim, sentir
o cheiro do amor a me arrancar
toda uma volúpia impronunciável.

Não, não pode ser,
sou uma mulher digna,
não uma garota para ceder
a estes lampejos libidinosos,
não, isso nunca. Lá tenho idade
pra futilidades efêmeras?

Ai, sai, imploro
ó meu Deus, sai de mim,
não não não, entre, isso,
entre, ai ai, ahhh...
Meu homem, assim eu eu ahh..

Mais no fundo sinto-te inteiro,
tua alma desnudando-se
em meu interior, num deleite cósmico,
pequena morte, que te quero grande
e várias e sempre e tantas!

Sinta o leite da entrega,
do desprendimento mundano,
do apego delicioso ao profano,
meu lord, meu amo,
amo-te como nunca.
Humanos não são, sensações
prânicas, ritmadas na completa

atividade sem nada,
na dança vital
ou seria mortal?
Puro teor do desvencilhar material,
numa onda de prazer
meta-sensorial, há tanto almejado,
represado, amaldiçoado
pela hipocrisia social.

Não, isso é natural, tua pele
é pura seda fervente, músculos
sentidos em cada contrair e relaxar,
nuvens de inconsciência misturando,
enlouquecendo, delirando
meu ser terreno.

Curvas de passeio, carne,
beijo, desejo. O gosto doce
do suor sagrado, por mim primado
em sua beleza magistral,
divina, carnal. Sim, é meu,
confesso, entrego, desejo-te inteiro
dentro de mim, mais e mais
e por fim rendo-me.

A magnitude da experiência
só pode ser celestial,
algo de sobrenatural,
multiplicidade de explosões cósmicas
numa só tarde, arde e arde e parte
antes que o coração salte.

Uma vida foi, então,
sentida, integrada,
realizada. Derreto,
lampejos de carinho
e beijos, desfaleço...

dimanche 4 janvier 2009

Viver


 


Viver é um eterno sofrer
Se ao menos a alegria
Não fosse uma ilusão ligeira
Uma vaga de segundo passageira

Que apenas faz lembrar
O quanto viver é sofrer
Que a faísca de logro vai passar
E o que sobra não é bom de ver

Viver é um eterno sofrer
É um morrer que não acontece
Cujo fim se desconhece
Um tormento pereno

Um intolerável mover
Para o nefando antro do ser
Uma alma que se perde
No momento em que perde você