dimanche 4 janvier 2009

Viver


 


Viver é um eterno sofrer
Se ao menos a alegria
Não fosse uma ilusão ligeira
Uma vaga de segundo passageira

Que apenas faz lembrar
O quanto viver é sofrer
Que a faísca de logro vai passar
E o que sobra não é bom de ver

Viver é um eterno sofrer
É um morrer que não acontece
Cujo fim se desconhece
Um tormento pereno

Um intolerável mover
Para o nefando antro do ser
Uma alma que se perde
No momento em que perde você

jeudi 20 novembre 2008

AS MÁQUINAS DESEJANTES



O passeio do esquizofrênico: é um modelo muito melhor que o neurótico deitado no divã. Um pouco de ar livre, uma relação com o exterior. Por exemplo, o passeio de Lenz reconstituído por Buchner. É algo muito diferente dos momentos em que Lenz está na casa do seu bom pastor que o obriga a tomar uma posição social em relação ao Deus da religião, em relação ao pai e a mãe. Nas montanhas, pelo contrário, sob a neve, ele está com os outros deuses ou sem deus nenhum, sem família, sem pai nem mãe, com a natureza. “Que quer meu pai? É impossível que ele me possa dar algo melhor. Deixem-me em paz.”Tudo é máquina. Máquinas celestes, as estrelas ou o arco-íris, máquinas alpestres que se ligam com as do seu corpo. Barulho ininterrupto de máquinas. “Pensava que devia ser um sentimento de um infinita beatitude o ser tocado pela vida profunda de qualquer forma, ter uma alma para as pedras, os metais, a água e as plantas, acolher em si todos os objetos da natureza, sonhadoramente, como as flores absorvem o ar com o crescimento e o minguar da lua.” Ser uma máquina clorofílica ou de fotossíntese, ou pelo menos, fazer do corpo uma peça de tais máquinas.

Há por todo o lado máquinas produtoras ou desejantes, máquinas esquizofrênicas, toda a vida genérica: eu e não-eu, exterior e interior, já nada querem dizer.

Debaixo da pelo o corpo é uma fábrica a ferver,
e por fora,
o doente brilha,
reluz,
com todos os poros,
estilhaçados. (Artaud)

As máquinas desejantes são máquinas binárias, de regra binária ou regime associativo; uma máquina está sempre ligada a outra. A síntese produtiva, a produção de produção, tem uma forma conectiva: “e “, “e depois”... É que há sempre uma máquina produtora de um fluxo e uma outra que se lhe une, relizando um corte, uma extração de fluxos (o seio/a boca). E como a primeira, por sua vez, está ligada a outra relativamente à qual se comporta como corte ou estração, a série binária é linear em todas as direções. O desejo faz constantemente a ligação de fluxos contínuos e de objectos parciais essencialmente fragmentários e fragmentados. O desejo faz correr, corre e corta.

A ligação da síntese conectiva, objeto parcial-fluxo, tem, portanto, uma outra forma: a do produto-produzir. O produzir está sempre inserido no produto – é por esta razão que a produção desejante é produção de produçào, tal como qualquer máquina é máquina de máquina.

O esquizofrênico é o produtor universal. Não se pode destinguir o produzir e o seu produto; ou pelo menos, o objeto produzido leva o seu aqui para um novo produzir.

Produzir, produto, identidade produzir-produto...é esta identidade que constitui um terceiro termo na série linear: enorme objeto não diferenciado. Tudo pára um momento, tudo se cristaliza (depois, tudo recomeçará). De certo modo, seria melhor que nada andasse, que nada funcionasse. Não ter nacido, sair da roda dos nascimentos, sem boca para mamar, sem ânus para cagar. Estarão as máquinas suficientemente avariadas para se entregarem e nos entregarem ao nada? Dir-se-ia que os fluxos estão ainda demasiado ligados, que os objetos parciais são ainda demaiado orgânicos. Mas um puro fluido em estado livre e sem cortes, deslizando sobre um corpo pleno. As máquinas desejantes fazem de nós um organismo: mas no seio desta produção, na sua própria produção, o corpo sofre por estar assim organizado, por não ter outra organização ou organização nenhuma. “Uma paragem incompreensível”a meio do processo, como terceiro tempo: “Sem boca. Sem língua. Sem dentes. Sem laringe. Sem esófago. Sem estômago. Sem ventre. Sem ânus. O corpo pleno sem órgãos é o improdutivo, o estéril, o inengendrado, o inconsumível. Antonin Artraud descobriu-o, precisamente onde ele se encontrava, sem forma nem figura.

O esquizo dispõe de modos muito próprios de referência, pois dispõe de um código de registro particular que não coincide com o código social ou que só coincide com ele para o parodiar. O código delirante ou desejante apresenta uma fluidez extraordinária. Dir-se-ia que o esquizofrênico passa de um código a outro, que baralha todos os códigos, num deslizar veloz, conforme as questões que lhe são postas, não dando nunca duas vezes seguidas a mesma explicação, não invocando nunca a mesma genealogia, não registrando nunca do mesmo modo o mesmo acontecimento, e aceitando até, quando lho impõem e não está irritado, o banal código edipiano, pronto a entulhá-lo como todas as disjunções de cuja exclusão se encarrega esse código. Os desenhos de Adolf Wolfi são relógios, turbinas, dínamos, máquinas-celestes, máquinas-casas, etc. E a sua produção faz-se conectivamente, dos bordos para o centro, por camadas ou setores sucessivos. Mas as “explicações”que ele lhes junta e que modifica quando lhe apetece, recorrem a séries genealógicas que constituem o registro do desenho. Mais, o registro rebate-se sobre o prórpio desenho, por meio de linhas de “catástrofe”ou de “queda”que são outras tantas disjunções rodeadas de espirais. O esquizo consegue segurar-se no seus pés sempre vacilantes, pela simples razão de que é a mesma coisa de todos os lados, em todas as disjunções. E que, por mais que as máquinas-orgãos se agarrem sobre o corpo sem órgãos, este não passa a ter órgãos, nem volta a ser um organismo no sentido usual da palavra. Conserva o seu caráter fluido e deslizante. É assim que os agentes de produção colocam sobre o corpo de Schreber, se suspedem nele, tal como os raios do céu que ele atrai e que contêm milhares de pequenos espermatozóides. Raios, aves, vozes, nervos, estabelecem relações permutáveis de genealogia complexa com Deus, com as formas divididas de Deus. Mas é no corpo sem órgãos que tudo se passa e se registra: as cópulas dos agentes, as divisões de Deus, as genealogias esqudriantes e as suas permutações. Está tudo sobre esse corpo incriado, como os piolhos na juba do leão.

(Trechos de: O Anti-Édipo – Gilles Deleuze e Felix Guattari)

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lundi 20 octobre 2008

Reflexão após ver o filme japonês ''BARAKA''

por: Tania Montandon




trailer do filme (2 minutos)

O filme transmite idéias sobre o que acontece em todo o mundo, a diversidade de raças, crenças, comportamentos, culturas em geral. Mostra aspectos existentess no islamismo, no budismo, no cristianismo e no judaísmo. Há a presença dos quatro elementos básicos da Terra: fogo, ar, terra e água.

Percebe-se a evolução do ser humano, a criação da cidade grande, acarretando uma sociedade cada vez mais competitiva. Há várias contradições relativas ao desenvolvimento da inteligência humana, vista que o homem torna-se capaz de produzir obras fantásticas, contudo ignora graves problemas ecológicos, a fome, a luta pela sobrevivência...

Como exemplo, uma árvore que leva cerca de cem anos para se desenvolver é destruída em um minuto pela serra elétrica. O ser humano abusa de seu poder natural destruindo inconsequentemente a Natureza.

É no mínimo curioso como uma espécie tão dotada de inteligência divide restos de alimentos de um lixão com vira-latas e ratos.

No Japão, a mentalidade obsessiva por trabalho e progressos tecnológicos mecanizam as pessoas e reprimem suas emoções, justificando talvez seu maior índice mundial de suicídios.

O progresso é importante e fundamental para o desenvolvimento e satisfação dos indivíduos, pois estes estão sempre em busca de algo mais para melhorar sua qualidade de vida, para ter um sentido pra prosseguir, criar, procriar. No entanto, além de criar é mister preservar as riquezas naturais e ficar alerta para que não acabem ou o processo de evolução sucumbirá.

vendredi 10 octobre 2008

La falta de sentido en el Psicoanálisis

Lacan dizia, em 1949, que a loucura seria algo vivido inteiramente no registro do sentido - definição feita a partir do delírio, que seria uma reconstituição do sentido perdido pelo sujeito lá onde ocorreu uma dissolução imaginária do mundo. Para Freud, isso ocorria quando o enfermo retira das pessoas e do mundo externo todo seu investimento libidinal(de energia), fazendo com que tudo se torne indiferente e como se não houvesse relação alguma com ele- o delirante, eis porque ele sente esta necessidade urgente(tentativa de cura) de explicar para si o universo- aqui começa a elaboração do delírio.

Esse trabalho de explicação do universo é o único meio pelo qual o sujeito pode voltar a encontrar sentido pra sua vida. Sentido esse que está fora daquele entendido pela norma simbólica do Complexo de Édipo, norma que rege a busca do sentido nos neuróticos, ligada à sexualidade basicamente.

O sentido seria a "categoria do imaginário que responde ao significante que é do registro simbólico. O efeito de sentido é produzido pela fixação de um significante a um significado."(Quinet) Quando pego um objeto e o nomeio, construo uma representação desse objeto na minha mente( o objeto seria mais ou menos o significante, enquanto a representação que construo a partir dele seria o significado, por exemplo). Assim, quando me deparo com o nome 'objeto' novamente, imediatamente o associo àquele objeto. Essa representação imediata do objeto é o que Kant chama de intuição.

Os fenômenos de sentido se apóiam na função simbólica da linguagem e essa divisão entre significante e significado é o que se usa pra tentar explicar a psicose pela ótica lacaniana. Na neurose, a intervenção da funçao paterna e introjeção da consciência moral e da "lei que proíbe o incesto" possibilita que o sujeito produza uma significação da sexualidade(diferente de sexual, mais no sentido de energia, interesse) e seus investimentos que o guiarão em seu desenvolvimento e suas buscas até a idade adulta.

Já na psicose, esse processo falha e o sujeito não consegue articular essa simbolização. Então encontramos na psicose as construções produzidas por essa falha, o inconsciente fica como a céu aberto e há prevalência do significante. Entre essas construções estão a alucinação verbal(há o modelo do significante desprovido de significado, de sentido inteligível pela sociedade) como os pássaros miraculados de Schreber que não conhecem o sentido das palavras que enunciam; também os fenômenos da alusão, da perplexidade e da intuição - formas que o sujeito tenta trazer de volta ao Real os significantes a que não conseguiu atribuir significado, sentido, não conseguiu simbolizar. Seria o delírio, como formação imaginária, que traria sentido(ainda que não entendido pela sociedade) aos significantes que forçam sua volta ao Real.

"O sentido de um sintoma na neurose como na psicose não é um sentido comum - não há senso comum para o sintoma - ele é sempre singular. Por isso a psicanálise é o avesso do discurso do mestre que produz o senso comum, o sentido partilhado. A psicanálise deve levar o sujeito a produzir seu proprio sentido que não é comum. Se o sentido é imaginário, o imaginário não é pura imaginação, o imaginário dá consistência ao Real. O imaginário dá o efeito de sentido exigido pelo discurso analítico: efeito real."
(Quinet, in: Teoria e Clínica da Psicose)

O sentido se opõe ao equívoco, pois é sempre unívoco, singular, caracteristica do imaginário que detém a ambiguidade enigmatica do significante que retorna ao Real através dos fenômenos psicóticos.

~

lundi 6 octobre 2008

Niños de la Guerra


"Millones de niños están en crisis, sufriendo el dolor y el trauma provocados por múltiples circunstancias que van más allá de su propio control: guerras, abusos en el hogar, pobreza, abandono, SIDA, explotación sexual, la obligación de vivir en las calles de ciudades llenas de peligros, jornadas de trabajo interminables, duros empleos donde les explotan o simplemente haber nacido siendo niña.



¿Forzados o Voluntarios?

Solos, huérfanos, asustados, aburridos y frustrados, los niños siempre prefieren pelear. Cuando los colegios están cerrados y las familias están rotas, pocas influencias pueden competir con la vida de un guerrero. Los niños incluso se ven a sí mismos luchando por la justicia social, por creencias religiosas o por identidad cultural. En términos más personales, pueden incluso buscar vengarse por la muerte de sus padres, hermanos o hermanas. Otros, como Junior, cuya historia hemos leído anteriormente, son secuestrados en sus pueblos y son forzados a luchar. A algunos se les obliga a testificar o tomar parte en la tortura o ejecución de sus propios familiares. Tras una experiencia tan horrible, acaban tan traumatizados que pueden ser persuadidos para hacer cualquier cosa. Por este motivo a menudo los niños son conducidos a pueblos cercanos donde ellos tendrán que repetir el mismo ejercicio.


Las obligaciones de los niños soldados

Sus obligaciones cubren todo tipo de actividades militares. En los momentos de relativa calma, puede que no tengan mejor cosa que hacer que cocinar o traer agua. Al ser pequeños y no levantar sospechas, los niños también tienen un valor especial como mensajeros o espías. Algunos soldados adultos sostienen que el acto de matar causa menos remordimientos a los niños que a los adultos. En consecuencia, los niños a veces no sólo sirven para matar sino para deshacerse de los cadáveres—enterrándolos en fosas o echándolos a los ríos. Y, mientras los niños debieran ser considerados como aquellos que más protección necesitan, como soldados, se les considera a menudo sin valor. En la guerra de Irán/Irak, por ejemplo, los niños soldados eran enviados a la cabeza del frente sobre los campos de minas.


¿Qué pierden los niños en las guerras?

  • Sus familias y hogares
  • Sus amigos y otras figuras importantes de afecto
  • Su infancia
  • Su integridad física
  • Desarrollo moral
  • Su inocencia y sus creencias
  • La escolarización
  • Las necesidades básicas
  • Su identidad, estatus, autoestima
  • La confianza

¿Qué efecto causa la guerra en los niños?

  • Llevan la carga del conocimiento del dolor y la violencia.
  • Están preocupados e inseguros.
  • No quieren confiar en la gente, ni siquiera en los que les quieren ayudar.
  • Tienen una salud precaria y están desanimados.
  • No muestran interés por nada y les cuesta aprender.
  • Se enfadan con facilidad, están cansados, son hiperactivos o se comportan de forma impredecible

Violencia sexual en la guerra

La violencia sexual es particularlmente común en conflictos étnicos. Las niñas son especialmente vulnerables a violencia sexual, abuso, explotación y estigmatización durante y después de situaciones de conflicto. 80% de las muertes en guerras han sido mujeres y niños.

La evolución desde la superioridad étnica a la limpieza étnica y, como consecuencia, al genocidio, puede convertirse en un proceso irresistible. Entonces, matar a los adultos ya no es suficiente; las generaciones futuras del enemigo—sus hijos—deben ser también eliminadas.

Las minas

Los niños de al menos 68 países están amenazados hoy en día por lo que puede ser la mayor contaminación tóxica que ha enfrentado la humanidad— la contaminación de las minas del terreno donde viven. Más de 110 millones de minas terrestres de varios tipos, más millones más bombas sin detonarse aún, proyectiles y grenadas, permanecen ocultas alrededor del mundo, esperando ser accionadas por algún inocente sin sospecharlo, dice el reporte.

De todas las armas que se han acumulado tras los años de guerra, pocas son más peristentes y letales para los niños que las minas terrestres. Cientos de miles de niños, manadas de animales, plantadores de tierras o alguno jugando, han sido asesinados o mutilados por estos aparatos mortíferos".


Referencias:

1 Sanando a los niños de la Guerra, Phyllis Kilbourn, MARC Publicaciones, 1995
2 Crisis Care Curriculum (Ofrece sanidad y esperanza para los niños en crisis), Phyllis Kilbourn
3 El Estado de los Niños del Mundo, UNICEF, 2005
4 ibid
5 Sanando a los niños de la Guerra, Phyllis Kilbourn, MARC Publicaciones, 1995
6 ibid
7 UNICEF,
8
The Millenium, United Nations Cyber School Bus
9 ibid
10 Sanando a los niños de la Guerra, Phyllis Kilbourn, MARC Publicaciones, 1995
11 ibid.
12 El Estado de los Niños del Mundo, UNICEF, 2005
13 Sanando a los niños de la Guerra, Phyllis Kilbourn, MARC Publicaciones, 1995
14 Estrategia de acción de minas: 2002-2005, UNICEF.


lundi 15 septembre 2008

sabotaje de la mente

Delírio onírico:

Caracteriza-se por visões mentais como as imagens que se tem no sonho, porém a pessoa não está dormindo. São alucinações principalmente visuais terroríficas e ameaçadoras. A pessoa pode ficar agitada e começa a agir como se as visões fossem reais. É um tipo de obnubilação da consciência moderada. Causas: febre, anorexia...


Esquizofrenia:

A psicose esquizofrênica instala-se geralmente numa idade jovem - por volta de quinze a trinta e cinco anos - através de um corte, uma ruptura na continuidade histórico-vital do sujeito. Depois que o corte ocorre, a personalidade do indivíduo sofre transformações irreversíveis e passa a apresentar características inexistentes antes da ruptura. A doença é incompreensível psicologicamente, não possui um motivo evidente, e inexplicável objetivamente. Apresenta uma evolução processual, lenta e crônica. Podem acontecer surtos, uma agudização da doença em que as funções psíquicas ficam mais desorganizadas. Depois a personalidade pode estabilizar-se novamente. A doença é caracterizada pela presença dos fenômenos elementares - delírios(distúrbios do pensamento e do juízo da realidade) e alucinações(distúrbios da percepção). Há alterações da consciência do eu corporal.


Despersonalização psicótica:

É quando a pessoa perde a consciência de si. Passa a não estar mais ciente de sua existência particular, percebe seus pensamentos como estranhos a si mesma, pensa que pode ser influenciada por forças externas, ondas, o que interfere em seu comportamento. As funções psíquicas ficam comprometidas: o indivíduo perde a consciência da atividade do eu, não percebe os pensamentos e sentimentos como emanando de si; perde a consciência da identidade do eu, não se reconhecendo mais como a mesma pessoa; pode perder a consciência da unidade do eu, achando que possui mais de uma personalidade, mas não reconhece a personalidade original.